Visage 006: Levi Lenzi



Sobre o mix:

Levi Lenzi é um artista multidisciplinar que transita entre pintura, design, tatuagem, discotecagem e produção musical, construindo um universo estético marcado pela experimentação e pela pesquisa da cultura eletrônica global. Sua sonoridade atravessa gêneros como soul, early house, disco, electro, breakbeat e techno, com forte caráter percussivo e interesse pela desconstrução de formatos. Com produções lançadas pelos selos Nice & Deadly, Perfecto Estado, Gop Tun Records e seu próprio @amorforec , apresentou seu Live Act em 2025 no festival de música eletrônica experimental da Gop Tun: Festival Não Existe. Residente da Function FM com o projeto Peregrine, também passa por rádios independentes como Operator Radio, Rádio Tempo Não Pára, Na Manteiga e Veneno, levando sua pesquisa musical tanto às pistas quanto a espaços de escuta mais intimista.

“Um mesmo campo sonoro pode reproduzir experiências (memórias) ordinárias e extraordinárias, de dentro e de fora, físicas e metafísicas, portanto o som é uma linguagem de equilíbrio: espiritual e mundana na mesma intensidade, a linguagem da experiencia humana. Improvisação I é uma colagem de memórias particulares e coletivas capturadas por gravações de campo e samples em vinil que interage à síntese sonora de máquinas virtuais. Essa conversa articulada em tempo real transmuta tais memórias para um novo momento, uma memória neonata. Microfonia, a agulha do toca-discos como um microfone percussivo, feedback como um instrumento, voz, sintetizadores e automações são algumas das ferramentas de improvisação utilizadas nesse experimento.”

Na improvisação de Levi, o que me marcou de imediato foi a sensação de uma arquitetura espacial. Pode-se imaginar uma grande sala onde cada som ecoa, se repete, se silencia, se transforma e se desloca livremente por cada canto. Essa manipulação dos elementos no espaço cria texturas e formas quase visuais, como se todas as paredes da sala fossem telas de pintura e os sons, rastros deixados por cada pincel, que no caso são os materiais manipulados. Para mim, o resultado traz algo de ancestral na experimentação: o impulso de explorar, transformar e criar através da matéria, que acompanha os seres humanos desde o início, atravessado pelas possibilidades tecnológicas de criação.

・MENA, criadora e curadora do programa Visage

MATERIAL USADO: gravações de campo com microfone — voz, sons do ambiente do estudio, microfonia, toca-discos como um segundo microfone, vinil “curso de alemão”, sirene dub, sintetizadores (VST), pedal de delay (VST), sequenciador e mixer midi.

︎︎︎