Tecnoxamanismo

De 1 a 3 de abril de 2016, houve o Encontro de Tecnoxamanismo: SOBREVIVÊNCIA – Indigenismo, Catástrofes Ambientais e Industriais.

La naturaleza se convierte en la Zona, un espacio donde el tiempo y espacio han sido alterados por la acción humana, y donde al mismo tiempo los sentidos humanos no han evolucionado a la par para percibir estas alteraciones. Se produce una desorientación y una necesidad de recalibrar nuestros sentidos.

Pablo de Soto

Falar de sobrevivência necessariamente passa pela questão indígena. Como diz Eduardo Viveiros de Castro, os povos indígenas são mestres em sobrevivência, já que seus mundos vêm sendo exterminados desde a chegada das caravelas.

A pergunta aqui é: quem sobrevive com os índios e quem sobrevive aos índios? Por que o tecnoxamanismo se interessa em acionar o “devir-indio” e que implicações isso tem?

A ideia de tecnologia e desenvolvimento a qualquer custo tem trazido uma série de consequências ambientais, produzindo catástrofes, dizimando comunidades, interrompendo fluxos de rios.

Nos interessa discutir nesse encontro temas relativos a Chernobyl, Fukushima, Lama de Mariana e seus sobreviventes. Como diz Svetlana Alexievich em seu livro Vozes de Chernobyl, “a paisagem de Chernobyl depois do acidente nuclear, se tornou uma imagem do futuro, não do passado”.

A virada da época geológica holoceno para antropoceno tem servido como palco para muitas inquietações políticas, sociais, ecológicas, subjetivas, científicas. A iminência de uma grande catástrofe avassaladora, ou o término lento do mundo que conhecíamos tem levantado vários movimentos de transformação, anti-antropocêntricos, que desejam abrir o pensamento, acionar outros devires, ampliar o espectro, fortalecer o imaginário para criar novos futuros. Isso faz com que muitos de nós nos juntemos de alguma forma aos “sobreviventes” dos mundos destruídos, para aprendermos com eles sobre sobrevivência, enquanto inventamos outras formas de existência, conectando o futuro e a ancestralidade.

O tecnoxamanismo é um movimento que vai nessa direção, de abrir canais de comunicação ancestrofuturistas, fazendo cosmogonias livres, rituais faça-você-mesmo, enquanto desenvolve tecnologias mais ecológicas, menos nocivas, menos destruidoras. Tudo isso exige muito trabalho de sonhos, imaginário, percepção e ações práticas, tecnológicas, eletrônicas e hackers.

É por isso que o tecnoxamanismo ao invés de exercer só um ativismo crítico-racionalista aposta mais incisivamente nas cartas da ficção, hiperstição, incorporação, subjetivação, inconscientização, para colocar em movimento nossa existência cósmica, tão enfraquecida nos dias de hoje, e geralmente cooptada por sistemas de dominação e controle.

Esses e outros temas serão debatidos durante a programação do Encontro de Tecnoxamanismo no deCurators, que culmirá num Ritual (Do It Yourself) ou num levante para uma “Cosmogonia Livre”!

Prolegômenos para um Possível Tecnoxamanismo

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

01/04/2016, 20h – PROGRAMA DE RÁDIO
deCurators

TECNOXAMANISMO, AFROFUTURISMO E INDIGENISMO
Coordenação: Fabiane M. Borges

1 – Eliete Pereira (pesquisadora do ATOPOS, Centro Internacional de Pesquisa, ECA/USP)
2 – Fabiane Borges (psicóloga, artista, articuladora da rede tecnoxamanismo)
3 – Leila Negalize (afro-futurista, artista visual, ativista)
4 – Verenilde Pereira dos Santos (indígena, indigenista, jornalista, escritora)

02/04/2016, 16h – OFICINA 1
Galeria Alfinete

INTERESCRITURA – TRANSNARRATIVAS – SCI-FI

Oficina de produção coletiva de narrativas de ficção científica. Os participantes são convidados a entrar em uma viagem de criação de futuros utópicos ou distópicos, que tenham a ver com o tema do encontro, que é: Sobrevivência, Indigenismo, Catástrofes Ambientais e Industriais. A ideia desta oficina é criar elementos para o Ritual (do it yourself).
Coordenação: Léo Pimentel, Fabiane Borges e Carol Barreiro

02/04/2016, 20h – PROGRAMA DE RÁDIO
deCurators

SOBREVIVÊNCIA, CATÁSTROFES, METAFÍSICA E FICÇÃO
Coordenação: Hilan Bensusan

1 – Adirley Queirós (cineasta)
2 – Angel Luis (programador, Baobáxia – Kalunga)
3 – Edgar Franco / Ciberpagé (artista multimídia, professor da UFG. Pesquisa: Perspectivas Pós-Humanas nas Ciberartes)
4 – Hilan Bensusan (filósofo, performer, escritor, professor da UnB. Pesquisa: metafísica, ontologia e animismo)
5 – Marcos Woortmann (cientista político, permaculturista, ecologista)
6 – Phil Jones (programador, artista digital, software livre)


03/04/2016, 14h – OFICINA 2
Local: Elefante Centro Cultural

CRIAÇÃO TOTENS ELETRÔNICOS

Oficina de criação coletiva de eletrônica (do it yourself) e preparação do espaço para o ritual (luzes, música, vídeos, e objetos).
Coordenação: Phil Jones, Krishna Passos, Victor Valentim e Gisel Carriconde Azevedo

03/04/2016, 19h
Local: Elefante Centro Cultural

RITUAL DIY – FICÇÃO E RUIDOCRACIA

APOIO
Elefante Centro Cultural
Galeria Alfinete