Takeover @decurators

De 13 de junho a 18 de julho de 2020, nosso instagram foi ocupado por Alvaro de Santana, Luiz Ferreira, Xibi, Lux Delfino, Romulo Barros e Yná Kabe Rodríguez.

ALVARO DE SANTANA (1993) é artista visual, graduado em Artes Visuais na Universidade de Brasília (UnB). Enquanto artista periférico, utiliza de seus processos de maneira a falar sobre o lugar do qual veio e a realidade do que chama de Distrito Federal profundo, lugares que supostamente ficam à sombra da utopia realizada que é Brasília e as consequências de sua criação, que gerou novas cidades à margem da capital, como Taguatinga ou Ceilândia. Investiga e trabalha com assemblagens com objetos coletados de descarte, calcogravura, pintura, desenho e vídeo. Realizou a exposição individual Expo-Pretexto em 2018, na galeria Olho de Águia (DF). Participa de exposições coletivas desde 2016, entre elas BURAQUERA, no Objeto Encontrado (DF), Dos Recortes às Micro-Invasões, no Espaço Cultural Kaixa D’Água (DF), Além da Forma, na Casa do Cantador (DF) e Retina, no Museu Nacional da República (DF).

LUIZ FERREIRA é artista visual graduando em Artes Visuais pela Universidade de Brasília e em suas produções expõe as relações do tempo, espaço e memória promovendo uma experiência da reminiscência através de registros fotográficos, investigações de álbuns de famílias negras e intervenções com a materialidade. O artista iniciou seu trabalho em 2013 e desde então já desenvolveu trabalhos nacionais e internacionais como a exposição Linha Curva, com curadoria de Albert Malta na UnB, Lost and Not Found pela Wieden+Kennedy em Amsterdam, Art of Creation pela Patchogue Arts Council em Nova Iorque e Deslocamentos pela Galeria Casa.

XIBI, nome artístico de Rayza Rodrigues, é natural de Lago da Pedra, Maranhão. Mudou-se para São Sebastião (DF) ainda pequena, e nunca mais saiu da quebrada de rocha. É artista visual, produtora cultural e poeta. Autodidata, recebeu sua primeira formação artística dentro da comunidade, aos 15 anos. Hoje, com 26, já conta com dez anos atuando na cultura de periferia do DF. Foi membro do Movimento Cultural Supernova e participou da fundação do Ponto de Cultura e Arte de Rua Casa Frida. Cursa licenciatura em Artes Visuais na Universidade de Brasília e atualmente é membro do coletivo As Sebastianas.

LUX DELFINO, 25 anos, nascida em Brasília e criada no entorno da capital, é graduada em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília, trabalha com design desde 2012 e leciona desde 2018. Sua produção está relacionada ao ruído como uma questão identitária, cultura pop e tecnologia. Utiliza das suas vivências enquanto LGBTQ+ negra e de origem periférica nos seus trabalhos em função de um lugar de fala que ainda é negligenciado frente à cultura hegemônica. É na figura da minoria pela ótica padrão que se dá o erro/glitch/ruido social que pesquisa e tenta emular esteticamente dentro seus trabalhos.

ROMULO BARROS (1995) nasceu e se criou no interior de Minas Gerais, em um lugar onde a história das pessoas e famílias se repete a cada geração. Fora dessa curva, mas observando-a e se observando, cultivou experiências que constantemente estão presentes na sua produção. Cercado por uma família tradicionalmente artesã, inventiva e adepta da gambiarra, teve grande contato com materiais que hoje se transformam em matéria prima de boa parte de suas obras. Materiais esses muito diversos, em sua maioria de origem simples e que carregam diversos significados. Trabalha atualmente com diversos suportes, como pintura, instalação, escultura e gravura. Busca prestar atenção em inquietações que surgem a partir de questões de sua identidade, ancestralidade e relações de afeto e vínculo.

YNÁ KABE RODRÍGUEZ, 28 anos, travesti do Recanto das Emas (DF). Trabalha e sobrevive como Artista-Babá-Curadora-Pesquisadora e mãe na Casa de Olfenza. Se formou em bacharelado em artes visuais pela Universidade de Brasília onde também ingressou na pós-graduação em artes visuais (PPG-AV) na linha de pesquisa Métodos e Processos em Arte Contemporânea.

De 31 de julho a 11 de agosto, ocorreu, como desdobramento da ocupação de Lux Delfino, a curadoria virtual ◼️. Com trabalhos de Débora Passos, Shayennie Aparecida, Dona Dora, Mlk Triste, Victor Diniz, Pablo Vieira, Aya, José de Deus, Stenio Freitas, Ana Maria Sena, Oberon Blenner e Fernanda Castro, ◼️ é uma curadoria pensada por Lux Delfino a partir da necessidade de expor trabalhos de pessoas negras em espaços que dialoguem com o circuito das artes do Distrito Federal. Deboche curatorial preto para tempos de #blackouttuesday, em que estratégias brancas de silenciamento da luta negra aparecem disfarçadas de militância. Veja a curadoria aqui.