Olho Selvagem

De dezembro de 2018 a março de 2019, deCurators recebeu o ciclo Olho Selvagem. Idealizado por Mariana Destro, o ciclo se dedicou à descentralização de narrativas não masculinas.

Apresentamos jovens mulheres construindo narrativas, reivindicando pontos de vista não hegemônicos. O olho selvagem expurga a dominação tradicional do olhar masculino e reorienta a significância do feminino: mulheres olhando mulheres.

Consolo

Em um terceiro momento de reflexibilidade discursiva, o dildo se volta sobre o corpo, translando-se sobre ele para contrassexualizá-lo (ver as práticas de inversão e de citação contrassexual). Dessa maneira, o corpo, que dependia de uma ordem orgânica hierarquizante e diferenciável, transforma-se em pura horizontalidade, em superfície plana onde os órgãos e as citações se deslocam em velocidade variável. O dildo realiza aí sua verdade: é efeito múltiplo e não origem única.

Paul B. Preciado, Manifesto Contrassexual

Em Consolo, primeira exposição do ciclo, apresentamos trabalhos de Manoela Morgado e Mariana Destro. Consolo esteve em exibição de 15 de dezembro de 2018 a 4 de janeiro de 2019.

Malena Stefano, suma sacerdotisa do experimentalismo sentimental, realizou um live-set na exposição, norteado pela representação de um simulacro da natureza, onde o ar está tão poluído que suas toxinas levam a um profundo sono. Sonhos premonitórios.

Nenhum homem no mundo

Nenhum homem no mundo esteve em exibição de 12 de janeiro a 3 de fevereiro de 2019. Com curadoria de Kabe Rodríguez, a exposição apresentou trabalhos de Agrippina R. Manhattan, Alexandra Martins, Alla Soüb, Ana Matheus Abbade, Bia Leite, Danna Lua Irigaray, Laura Fraiz-Grijalba, Luara Learth, Maria Eugênia Matricardi e Romulo Barros, além de performance sonora de Pietra Sousa.

Quais e como seriam os processos de IMAGINAR ‘nenhum homem no mundo’, na ordem da frase onde se evoca uma evacuação ou proibição ao invés de pensar “um mundo de nenhum homem”? (…) Não me aproximo aqui apenas numa ideia de manifestação, mas há processos de criação de mundos. Precisava, então, entender para além de uma catalogação de pensamentos sobre novos mundos, e encontrar no fazer, nas coisas feitas, as possibilidades de agir. A tátil revolução de se fazer o que se quer e o decepcionante embate com as questões de quais corpos podem fazer o quê.

Kabe Rodríguez (texto em PDF)

Divulgação no Capsules Book: Olho Selvagem presents cycle of exhibitions at deCurators

Pietra Sousa, trava aquariana maldita profana, é escritora, cantora, compositora, autodidata, marginal, dengosa e fulêra. No vernissage da exposição, Pietra se apresentou com Prethaís, 0.D e Tiago Teixeira.

Nos dias 26 e 27 de janeiro, Débora Passos, artista multimídia, mulher-aranha e arte-educadora, realizou a performance Composta na exposição. Débora esteve das 9 às 18 coletando fios de cabelos de mulheres para bordar.

composta

/ô/

adjetivo

1. que se formou; constituída.

2. Que age ou se comporta com compostura; contida, disciplinada.

3. Que se combinou ou ajustou; ajeitada, conciliada.

(Composta: bordado com cabelos de mulheres)

Etapas:

1. Coletar no Google o significado da palavra composto;

2. Mudar a desinência de gênero;

3. Pensar no quanto há, na formação das mulheres, de:

Compostura – Contenção – Disciplina – Ajuste – Conciliação – Relativização – Aglutinação – Justaposição – Oração – Conexão – Constituição – União – Igualdade – Órgãos – Vegetais – Flores – Lâminas – Limbos – Subdivisão – Resultado – Partição – Diferença

4. Convidar as mulheres a doarem alguns fios de cabelo para o bordado;

5. No tecido e com os demais utensílios, borda-se. No processo, pensar em todo o item 3;

6. Aguardar outras mulheres fornerecem mais fios;

7. Reiniciar o processo.”

Débora Passos

No dia 8 de fevereiro, aconteceu VINTECUATRO: 24 horas de performances, ações e intervenções de Alla Soüb, Beatriz Perini, Carli Ayô, Kabe Rodríguez, Laura Fraiz-Grijalba, Maria Léo Araruna, Mariana Destro, Martha Suzana e Nebulosa Stoppa durante o encerramento da exposição.

Começou pela internet, meia-noite de quinta pra sexta, e continuou fisicamente no deCurators, sexta, a partir das 19h. As performances foram transmitidas pelo nosso instagram, @decurators.

FRANK

FRANK apresentou, de 16 de fevereiro a 8 de março de 2019, trabalhos de Bia Leite com curadoria de Mariana Destro. FRANK surge do desejo de Bia Leite de elaborar uma parte das memórias de adolescência, marcadas pela boate Noise 3D, no centro de Fortaleza (CE).

Bia Leite ousa suscitar lembranças de uma época de incertezas e amadurecimento (coming of age). E o faz porque ela mesma permanece em busca de algo ⏤ em busca de espaço, de representatividade, em busca de produzir imagens, sentidos, sendo uma jovem artista queer. A busca é sentimental. A nós, cabe sentir.

Esta noite é tudo nosso.

Mariana Destro (texto em PDF)

No dia 8 de março, aconteceu o encerramento do ciclo, com intervenções de Gabriela Mutti, Mile Lemos, Sarah Alvim e Thalita Perfeito (online). A performance de Thalita foi transmitida pelo instagram.

Matéria no Metrópoles: Uma noite na balada com Bia Leite