deCurators Pesquisa

Entre 5 de setembro e 6 de outubro de 2019, realizamos o ciclo deCurators Pesquisa. Abrindo a programação das ações culturais voltadas para pesquisa em arte, convidamos Rodrigo D’Alcântara para exibir seu filme Ascensão e Queda das Bixas, produzido no mestrado em artes na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2018.

Após a exibição dos filmes, houve um debate aberto ao público intermediado por Mariana Destro. A programação, com curadoria de Rodrigo, foi composta por:

A poeira não quer sair do Esqueleto, 2018, RJ
Daniel Santiso e Max Willa Morais
Documentário experimental, 20′

A favela do Metrô-mangueira existe no mesmo lugar da favela do Esqueleto, separadas apenas por uma diferença de tempo. Narrativas de vida emergem da realidade de incêndio e demolição, no encontro de quatro habitantes do local com imagens do passado.

 

Perpétuo, 2018, RJ
Lorran Dias
Ficção, 25′

Silvia e Alex voltam a morar juntos. Vida em movimento.

 

X-MANAS, 2017, PE
Clarissa Ribeiro
Ficção, 18′

Recife, 2054. A população da cidade se divide em dois grandes estratos. No alto, a esterilidade e apatia dos moradores de grandes prédios e donos de empreendimentos comerciais. No submundo os dissidentes sexuais, bichas bandidas, travestis, sapatonas boladas e todos os corpos marginalizados perante a cisheteronormatividade. Performando suas identidades e indo contra todo tipo de opressão, os dissidentes se reúnem e bolam um plano.

 

Ascensão e Queda das Bixas, 2018, RJ
Rodrigo d’Alcântara
Ficção/vídeo-arte, 38′

Num futuro distópico, após eras de dominação de um regime heterossexual endêmico, entidades dissidentes surgem.

Seguindo a programação do ciclo, convidamos Sandro Alves para, em 6 de setembro, apresentar e debater sua pesquisa sobre a fotografia x textos literários, a qual resultou nas premiadas publicações Achados de Assis: a fotografia em Dom Casmurro (2010) e Aparições do fotográfico na literatura brasileira (2012).

Existem as teorias da fotografia e as teorias a partir da fotografia. As teorias a partir da fotografia foram propostas por Rosalind Kraus e são abordagens transdisciplinares, mira-se um campo a partir de outro. No caso, as artes plásticas foram tratadas a partir da fotografia. A proposta desta apresentação é tratar do realismo na fotografia a partir de Machado de Assis, utilizando os conceitos de sobrevivência de Aby Warburg e a forma pela qual Georges Didi-Huberman concebe o anacronismo na história quando seu objeto é a imagem.

Sandro Alves

SANDRO ALVES é fotógrafo, professor e escritor. Mestre em Teoria e História da Arte pela Universidade de Brasília, recebeu o Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia em 2010 e 2012 pelas publicações “Achados de Assis: a fotografia em Dom Casmurro”e “Aparições do fotográfico na literatura brasileira”, respectivamente.

Em 12 de setembro, recebemos Hilan Bensusan, Raísa Curty e Tatiana Fernandez Mendez para uma mesa-redonda onde os artistas apresentaram projetos recentemente desenvolvidos na Bolívia.

HILAN BENSUSAN é professor e pesquisador do Dept. de Filosofia na Universidade de Brasília. Em paralelo, desenvolve trabalhos com performance, instalação e vídeo.

RAÍSA CURTY é artista visual e arte educadora. Frequentou diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e graduou-se na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente faz mestrado no Instituto de Arte da Universidade de Brasília.

TATIANA FERNANDEZ MENDEZ É doutora em arte pela Universidade de Brasília e tem mestrado em Novas Tecnologias Aplicadas à Educação pelo Instituto Universitario de Postgrado (2005), IUP, Espanha. Atualmente é Professora Adjunta do IdA- VIS na Universidade de Brasília.

Em uma sexta, dia 13 de setembro, convidamos o coletivo La Vulcanizadora, grupo de artistas colombianos atualmente desenvolvendo pesquisa com cinema expandido no FilmLab de Bogotá Kinolab/Colombia, para uma mostra de cinema expandido.

Programação:

1. Apresentação do Coletivo, Maria Rojas e Andrés Jurado, 2’06
2. Tunos y guacas, Daniel Torres, 9’10
3. Playa Divina, Natalia Pérez
4. Guión primero, Paula Durán, 4’25”
5. Espacios imaginarios, Sara Piñeros, 7’03
6. El sonido de la luz, Manuela Prieto y Santiago Forero, 15’19
7. Fuga, Germán Ayala, 4’04
8. O Sucuri, Andrés Jurado, 9’01

Convidamos o grupo Vaga-mundo: poéticas nômades para ocupar o espaço de 21 a 29 de setembro, com a exposição 1080 dias – Parte 1. 

“Ao longo de 1080 dias, o grupo Vaga-mundo teve como objetivo realizar uma volta ao mundo, sem sair de Brasília, o que compreendeu expedições a pé aos Setores de Embaixadas Sul e Norte da cidade. Durante três anos caminhamos juntos, estrangeiros no próprio território percorremos distâncias variadas pela cidade-mundo. Um dos pontos de partida para que a expedição do grupo ao redor do setor de embaixadas ganhasse contorno, foi a obra Volta ao Mundo em 80 dias, de Jules Verne. Observamos o mapeamento das embaixadas no plano de Brasília. A maioria situa-se no setor de embaixadas, outras, porém, surgiram e foram se acomodando em outras partes da cidade, como o Lago Sul. Chegar ao Setor de Embaixadas já exige uma certa programação. Não há acesso simples, nem transporte público. Nos organizamos em caronas, carros particulares e/ou táxis e aplicativos de transporte. Temos cadernos e máquinas fotográficas em mãos. Sapatos confortáveis para caminhar, chapéus, lanches, óculos escuros. Olhos secos. Escolhemos os meses mais secos pois não há abrigo para a chuva nesses percursos, nem para o sol… Nos movíamos em distâncias que se dilatavam ou contraíam de acordo com o calor e a baixa umidade relativa do ar.

Caminhamos, portanto, à margem desta representação de mundo oficial que é o setor de embaixadas. Nossa volta ao mundo foi uma volta ao redor, na borda, no limite de encontro entre territórios determinados pelas ásperas fronteiras físicas que demarcam cada um dos espaços simbólicos que percorremos.Nossa caminhada-contorno recorta o espaço sem deixar marcas rígidas: algumas pegadas, olhares lançados e desviados. Medimos a extensão do caminho em cansaço e algumas horas, horas que viraram dias que, por sua vez, viraram alguns anos de conversas e observações, de algumas coletas e registros, mas, principalmente de inúmeros encontros. Aos poucos surge a dimensão do espaço recortado por esse corpo coletivo e ela cabe em uma maquete que pode ser segurada entre as mãos.

A exposição 1080 dias – Parte 1 apresenta então alguns trabalhos ainda em processo dessa viagem.”

VAGA-MUNDO foi criado em 2014 e é coordenado pela Profa. Dra. Karina Dias. O grupo de pesquisa reúne, além de Karina, César Becker, Íris Helena, Ludmilla Alves, Júlia Milward, Gabriel Menezes, Luciana Paiva, Levi Orthof, Tatiana Terra e Luiz Olivieri, 10 artistas-pesquisadores, mestrandos e doutorandos ligados ao Instituto de Artes da Universidade de Brasília. Realizando pesquisas poéticas em diversas linguagens artísticas (instalação, vídeo, livro de artista, desenho, pintura, escultura, fotografia e instalação sonora), o que interliga os membros do grupo é o desejo de investigar as relações entre o homem e a paisagem, entre a imensidão dos espaços e a singularidade daquele que os percorre. Noções fundamentais que norteiam toda a pesquisa são: horizonte, paisagem, olhar, viagem, geopoética, escrita, entre outras. Aliando a prática artística, a reflexão teórica e a experiência em espaços-extremos, na intenção de construir uma poética nômade surgida do movimento, de deslocamentos do grupo a partir de expedições artísticas em vários lugares do mundo. Desse movimento surgem as coordenadas vaga-mundo: expedição, exposição e escrita.

Em 5 de outubro, recebemos a REC para o lançamento de sua primeira coleção. A REC é uma marca de vestuário orgânico e moda consciente, idealizada por Pedro Garcia. A ocupação do espaço pela REC teve a colaboração do artista Gustavo Silvamaral.

REC teve seus primeiros passos dados em abril de 2018. A marca surgiu de uma vontade pessoal de vestir roupas orgânicas para o dia a dia. É tão urgente a necessidade de uma troca de paradigma no mundo da moda que não dá para evitar. Além das toneladas de roupas que são descartadas todos os dias, as relações de trabalho de muitas marcas já começam frágeis desde a escolha da matéria-prima. Isso torna a busca infinita pelo menor preço quase incompatível com boas condições para os trabalhadores e todo o resto da cadeira produtiva. Pensando nisso, a REC surge com a proposta de avaliar ponto a ponto o desenvolvimento da marca e mostrar que devemos e podemos desacelerar um pouco, valorizar mais e conscientizar. O algodão da marca é orgânico e proveniente de cooperativas de agricultura familiar, o tingimento é vegetal/mineral de fontes renováveis e os botões são de ureia.