Cenas de Ódio, Morte e Progresso

Cenas de Ódio, Morte e Progresso, com trabalhos de João Angelini e curadoria de Marco Antônio Vieira, ocupou o deCurators de 17 de janeiro a 9 de fevereiro de 2020. Acesse o texto curatorial aqui.

Cenas de Ódio, Morte e Progresso de João Angelini para a deCurators articula-se à maneira de um “tríptico instalativo” a desdobrar-se na espacialidade da galeria a partir de uma noção revisitada de montagem”. A perigosa naturalização do espetáculo do ódio e da morte a gerar lucro é aqui revirada do avesso. Angelini propõe três alegorias que, por meio de sua potência poética, possam nos fazer despertar da letargia sonífera da convivência para com toda uma estratégia política em que se decide quem deve morrer ou viver.

Marco Antônio Vieira

Em 4 de fevereiro houve uma noite de vigília em torno da performance/instalação Look on the bright side, babe, desenvolvida por João Angelini especialmente para a vitrine do espaço.

Look on the bright side, babe consiste em uma engenhosa articulação entre um relógio de vela de 360 horas cravejado de cápsulas de bala, um osso pélvico de vaca e uma bola de arame farpado, entre outros elementos. O osso pélvico, junto à bola de arame farpado, dependura-se em um fio que atravessa o relógio de vela, de modo que, à medida que as 360 horas minguam, o fio se rompe. A queda do osso e do arame, vertiginosamente calculada. O estampido reverberado pelas bacias de metal. 

Em 3 de março, o curador Marco Antônio, João Angelini e Gisel, idealizadora do nosso espaço, estiveram no espaço GPS para a mesa redonda História(s) à margem: uma conversa em torno da Arte Contemporânea no DF. 📷 Bruno Cavalcanti

Agradecimentos

Muito obrigado à deCurators pelo espaço e ao Marco Antônio Vieira pelo convite. Foi um prazer enorme montar essa exposição, discutir essas obras e poder experienciar elas no espaço.

Agradecido demais pelas participações nos processos de criação do querido grupo de acompanhamento do Pé Vermelho: Luciana Paiva, Marcela Campos, Rafael da Escóssia, Raissa Studart e Shevan Lopes, que com carinho se dispuseram a trocas preciosas que determinaram muito do que está aqui apresentado.

Ao irmão Élisson Prado pelas contribuições de sempre nas discussões e pelas balas. Obrigado, Arnaldo, pela ajuda nas escolhas e na montagem. À Maura por emprestar a obra. À Kátia, do Antiquário da Cidade, pela generosa ajuda.

Por fim, a todes as pessoas que se dedicam à produção poética autoral fora dos muros dos feudos e das proteções institucionais formais (e caretas). Acredite, nós somos a resistência a esse período nebuloso. Somos nós, nos expondo sem proteções, que promovemos mudanças de verdade, no mundo real. Somos muito mais livres como artistas e pessoas fora desse sistema branco, adestrado e mascarado de pesquisa que, predominantemente, só serve para justificar a própria existência. Não dá mais pra tolerar essa prática extrativista daquilo que acontece fora do feudo: a vida. Então façamos nossa história nos nossos espaços.

A todes não sudestines que encaram a enorme distância (não só geográfica) e as milhares de barreiras para, como artistas, ocuparem aquilo que é de direito nosso, mas que está equivocadamente concentrado em uma única cidade, promovendo um único tipo de artista a custas da nossa escassez. É mais fácil percorrer essa distância juntes! João Angelini